O que significa, afinal, uma economia Nature Positive?

O que significa, afinal, uma economia Nature Positive_

Nature Positive: uma nova forma de pensar a relação entre economia e natureza

Durante décadas, o crescimento económico foi construído com base num pressuposto simples: a natureza era um recurso abundante, disponível e praticamente inesgotável. A economia evoluiu apoiando-se na extração de matérias-primas, na ocupação do território e na utilização intensiva dos ecossistemas, assumindo que estes continuariam sempre capazes de fornecer os recursos necessários ao desenvolvimento.

Hoje, essa realidade mudou. As alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a degradação dos solos, a escassez de água e a crescente pressão sobre os ecossistemas demonstram que o modelo económico tradicional atingiu os seus limites.

É neste contexto que surge o conceito de Nature Positive. Mais do que uma tendência ambiental, representa uma nova forma de compreender a relação entre economia, natureza e desenvolvimento.

Muito além da proteção da natureza

É comum associar o conceito Nature Positive à conservação ambiental, mas o seu significado é bastante mais amplo.

Uma economia Nature Positive procura garantir que a atividade humana não se limita a reduzir os impactos negativos sobre a natureza, contribuindo também ativamente para recuperar e regenerar os sistemas naturais dos quais depende.

O objetivo deixa de ser apenas causar menos danos e passa a ser gerar um impacto líquido positivo sobre a natureza. Esta mudança representa uma evolução significativa na forma como empresas, governos e investidores encaram a sustentabilidade.

Porque a economia depende da natureza

Durante muito tempo, a natureza foi tratada como um tema exclusivamente ambiental. Hoje sabemos que é também um tema económico.

Todos os setores dependem, direta ou indiretamente, dos serviços prestados pelos ecossistemas, desde a disponibilidade de água e a fertilidade dos solos até à polinização, regulação climática, proteção contra cheias, qualidade do ar e estabilidade dos recursos naturais.

Sem estes serviços, grande parte da atividade económica torna-se mais vulnerável, mais dispendiosa e menos resiliente. Por isso, proteger a natureza deixou de ser apenas uma responsabilidade ambiental e passou a ser uma condição para garantir a continuidade do desenvolvimento económico.

De reduzir impactos a criar valor

A abordagem tradicional à sustentabilidade procurava sobretudo minimizar impactos ambientais. Uma economia Nature Positive vai mais longe, procurando criar valor através da recuperação dos sistemas naturais.

Isto significa que as organizações são chamadas a integrar a natureza nas suas decisões estratégicas, considerando não apenas os impactos que geram, mas também as dependências que possuem relativamente aos ecossistemas.

Esta abordagem influencia áreas como o investimento, a gestão do risco, a inovação, o planeamento territorial, as cadeias de abastecimento, o desenvolvimento de produtos e a estratégia empresarial. A natureza deixa, assim, de ser vista como um fator externo e passa a integrar o próprio modelo de criação de valor.

Uma nova forma de medir o sucesso

Durante décadas, o sucesso foi avaliado sobretudo através do crescimento económico. Hoje, essa visão começa a evoluir.

Uma economia Nature Positive reconhece que crescimento e recuperação da natureza não devem ser objetivos incompatíveis. Pelo contrário, as organizações mais preparadas serão aquelas capazes de criar valor económico enquanto contribuem para restaurar ecossistemas, reduzir riscos ambientais e aumentar a resiliência dos territórios onde operam.

O desempenho deixa, por isso, de ser medido apenas pelos resultados financeiros e passa também pela capacidade de preservar e regenerar os ativos naturais que sustentam esses mesmos resultados.

O papel das organizações

Esta transformação não depende apenas dos governos. As empresas têm também um papel decisivo, uma vez que cada decisão relacionada com investimento, compras, inovação, infraestruturas ou comunicação influencia a forma como a organização se relaciona com a natureza.

Uma estratégia Nature Positive exige, por isso, uma visão integrada, capaz de envolver diferentes áreas da organização. Não é apenas um tema das equipas de sustentabilidade, mas uma abordagem que influencia a governação, a gestão do risco, as operações, a comunicação e a cultura organizacional.

Um novo paradigma para o futuro

A economia Nature Positive não propõe travar o desenvolvimento, mas desenvolvê-lo de forma diferente.

Parte do reconhecimento de que uma economia saudável depende de ecossistemas saudáveis e de que a prosperidade de longo prazo exige equilíbrio entre crescimento, utilização de recursos e regeneração da natureza.

Num contexto de crescente exigência regulatória, maior pressão por parte dos investidores e aumento da consciencialização da sociedade, esta visão tende a tornar-se um dos principais referenciais para o desenvolvimento económico das próximas décadas.

Em síntese

A economia Nature Positive procura regenerar, e não apenas proteger, a natureza. Reconhece que o desenvolvimento económico depende do bom funcionamento dos ecossistemas e que as organizações devem integrar a natureza nas suas decisões estratégicas.

A criação de valor passa também pela recuperação do capital natural, e o futuro da competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de conciliar crescimento económico e regeneração.

Na INLOOP, acreditamos que comunicar sustentabilidade exige compreender as transformações que estão a redefinir a economia e a gestão das organizações. A transição para uma economia Nature Positive não representa apenas uma mudança ambiental, mas uma nova forma de criar valor, gerir riscos e construir organizações mais resilientes.