O que mudou na sustentabilidade em 2026?

O QUE MUDOU NA SUSTENTABILIDADE

2026 está a marcar uma mudança importante na sustentabilidade empresarial.

Depois de vários anos dominados pela expansão da regulação, dos relatórios ESG e por novas exigências de transparência, a Europa começou a simplificar algumas obrigações. Mas essa simplificação não significa recuo.

Ao mesmo tempo que reduz complexidade administrativa, aumenta a exigência sobre a qualidade da informação, a credibilidade das alegações ambientais e a capacidade das organizações demonstrarem impacto.

A sustentabilidade entra, assim, numa nova fase: menos centrada na quantidade de informação produzida e mais ligada à estratégia, à competitividade e à qualidade das decisões.

1. A Europa simplificou o reporte, mas não abandonou a sustentabilidade

O pacote Omnibus I restringiu o âmbito da CSRD, concentrando a obrigatoriedade de reporte nas empresas com mais de 1.000 trabalhadores e volume de negócios anual líquido superior a 450 milhões de euros.

Em julho, a Comissão Europeia avançou também com uma revisão das normas ESRS, reduzindo significativamente os dados obrigatórios, mas mantendo a exigência de qualidade no reporte.

Menos obrigação significa menos sustentabilidade?

Não necessariamente. Para muitas organizações, pode ser uma oportunidade para deixar de tratar a sustentabilidade apenas como reporte e integrá-la de forma mais consistente na gestão.

2. Comunicar sustentabilidade tornou-se mais exigente

Se o reporte está a ser simplificado, a comunicação ambiental segue o caminho inverso.

As novas regras europeias reforçam o rigor das alegações ambientais, dos rótulos e da forma como as empresas apresentam características de sustentabilidade dos seus produtos e serviços.

Em maio, a Comissão Europeia abriu um procedimento de infração contra vários Estados-Membros, incluindo Portugal, pela falta de transposição completa da Diretiva (UE) 2024/825 dentro do prazo previsto.

A direção é clara: mensagens genéricas e sem fundamentação terão cada vez menos espaço. Comunicar sustentabilidade exige hoje capacidade para demonstrar aquilo que se afirma.

3. As avaliações ESG passaram a ser mais escrutinadas

Em julho, entrou também em aplicação o novo Regulamento Europeu relativo às notações ESG.

Os prestadores destas classificações passaram a estar sujeitos a autorização e supervisão da ESMA, com o objetivo de aumentar a transparência, reduzir conflitos de interesse e reforçar a fiabilidade das avaliações.

A mudança é relevante porque já não basta medir sustentabilidade. É necessário garantir que essa avaliação é feita com critérios transparentes, comparáveis e credíveis.

4. A economia circular chegou mais perto do quotidiano

2026 trouxe também mudanças concretas na forma como produtos e embalagens são colocados no mercado.

Em Portugal, entrou em funcionamento o novo Sistema de Depósito e Reembolso para determinadas embalagens de bebidas. Em paralelo, o Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens começou a aplicar-se, em termos gerais, em agosto.

A circularidade deixa, assim, de ser apenas uma ambição ambiental e passa a influenciar design, logística, operação, reutilização de materiais e relação com o consumidor.

5. Sustentabilidade e competitividade aproximaram-se

Durante muito tempo, sustentabilidade e competitividade foram apresentadas como forças em tensão. Em 2026, essa oposição começou a perder força.

A eficiência energética reduz emissões, mas também custos. A circularidade diminui desperdício e dependência de matérias-primas. Conhecer melhor a cadeia de valor ajuda a identificar riscos. Investir em adaptação climática protege ativos, operações e continuidade do negócio.

A sustentabilidade aproxima-se, por isso, cada vez mais da gestão e da competitividade.

E Portugal continua perante um desafio estrutural

Apesar da evolução regulatória, os dados ambientais mostram que a transformação está longe de estar concluída.

Em 2026, o Dia da Sobrecarga de Portugal ocorreu a 7 de maio. Se toda a população mundial consumisse recursos ao ritmo médio português, seriam necessários cerca de 2,9 planetas.

O dado recorda-nos que a regulação é apenas uma parte da mudança. Produção, mobilidade, alimentação e utilização de recursos continuam a exigir transformação estrutural.

O que significa tudo isto para as organizações?

2026 está a mostrar que sustentabilidade já não significa simplesmente cumprir mais regras.

Significa compreender melhor o negócio, identificar riscos, medir o que realmente importa e demonstrar de forma credível as decisões tomadas e os resultados alcançados.

Algumas obrigações podem ser simplificadas e outras tornar-se mais exigentes, mas a direção mantém-se: as organizações precisam de estar mais preparadas para gerir impactos, utilizar recursos com maior eficiência e adaptar-se a um contexto em transformação.

Em síntese

2026 não marcou o recuo da sustentabilidade. Marcou uma mudança de maturidade.

O reporte tornou-se mais simples e direcionado, a comunicação ambiental mais exigente, as avaliações ESG mais escrutinadas e a circularidade mais presente na operação. Ao mesmo tempo, a ligação entre sustentabilidade e competitividade tornou-se mais evidente.

Na INLOOP, acreditamos que esta evolução exige uma nova forma de gerir e comunicar sustentabilidade: menos foco na obrigação pela obrigação e maior capacidade para transformar informação em decisão, decisão em ação e ação em impacto demonstrável.